Image Slider

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Review: The Flash 3x21 - "Cause and Effect"

Atenção: a resenha abaixo contém spoilers do episódio "Cause and Effect", exibido no dia 09/05/17. 

savitar 3x21

Savitar é o Barry. Ou será que não é tão fácil assim? O episódio 3x21 tentou explicar algo que, no fundo, nunca faria muito sentido mesmo. No fim, escolheram uma opção “segura”, que não prejudicava muito a visão sobre o personagem principal, mas que eu achei um pouco de covardice. Savitar revela que ele não é exatamente o Barry, mas sim um duplicado do Barry original, que correu no tempo para poder criar várias versões dele ao mesmo tempo para poder derrotar o Savitar. Depois que eles derrotaram, as outras versões desapareceram menos essa, que foi excluída por não ser o “Barry verdadeiro”, e ficou tão ressentido que resolveu... virar o Savitar?

Por mais que eu ame um paradoxo como esse, de tentar vencer Savitar foi exatamente o que o criou, tenho tantos problemas com essa história que nem sei onde começar. Tipo, por que exatamente ele não desapareceu? E qual sentido faz o Team Flash simplesmente ignorá-lo? Vamos fingir que ele não existe e vê se tudo vai embora? Essa é literalmente a ideia mais idiota que eu já ouvi. E por que eles ignorariam o outro Barry?! Ele já era “do mal” desde sempre? Porque não faz sentido se ele inicialmente era só um duplicado. Os duplicados não são apenas parte do Barry e não totalmente? Eu sei que isso não é ciência de verdade, mas preciso de uma explicação melhor do que essa.

Barry fica um pouco abalado com essa situação, mas por causa do enredo do episódio acabamos nem vendo muito ele entrar em uma onda de responsabilização. Ele só fica um pouco chateado porque sabe que, de uma forma ou de outra, Savitar É ele sim e fica um pouco assustado por ser capaz de fazer isso. É claro que Flash sendo Flash eles resolvem não entrar muito em como o Barry poderia chegar a esse ponto, não mergulham nos traumas e motivações dele e simplesmente jogam de lado dizendo que não é ele não.

O que realmente me incomodou, tanto nesse episódio quanto nos últimos episódios também, é a total falta de foco na Iris. Uma história que começou com ela morrendo agora gira totalmente em torno do Barry, como ele vai salvá-la, como vai derrotar Savitar, como ele virou o Savitar. Barry, Barry, Barry. Mas como a IRIS está se sentindo sobre isso?! Tivemos apenas uma ou duas cenas sobre ela reagindo a notícia que morreria logo e é isso. Agora ela descobre que é o noivo dela que vai matá-la e ela mal tem voz na história. A única coisa que ela anda fazendo é só dando conselho pro Barry, servindo para apoiá-lo e motivá-lo, quando quem deveria estar sendo apoiada é ELA.


De qualquer forma, agora que sabem que Savitar é uma versão do Barry, descobrem que ele tem todas as memórias do Barry até o momento em que eles se separaram, o que explica como ele está sempre na frente de todos. Não tem como vencer alguém que já sabe literalmente como você vai agir em todas as ocasiões.

A solução encontrada é interferir na memória dele. Tenho algumas dúvidas sobre como mexer na memória do Barry de alguma forma interfere na do Savitar, mas ao mesmo tempo o Barry morrer não mataria Savitar. Cadê a consistência?! Savitar diz nesse episódio que “quanto mais você altera o tempo, menos as regras se aplicam a você”, e eu só quero dizer que isso para mim soa completamente como uma desculpa dos escritores para “nós vamos fazer o que nós queremos sem obedecer à lógica nenhuma, porque estamos a fim”. Consistência interna é essencial dentro de uma série de ficção científica, não podem ignorar assim.

Mas não tenho muito o que fazer a não ser reclamar. Cisco e Julian resolvem criar um dispositivo que faria com que Barry parasse de reter novas memórias, assim ele poderia criar um plano para derrotar Savitar, contar pro resto, só que ele mesmo não se lembraria depois e, portanto, Savitar também não. Ainda tenho problemas com essa lógica, porque mesmo se não se lembrar exatamente, Savitar saberia o estilo de pensar deles e, acredite, pessoas são bem previsíveis. Mas acaba que isso nem entra em jogo, porque o experimento não dá certo e, ao invés de perder a memória de curto prazo, Barry acaba sem memória nenhuma.

Eu gosto muito de histórias de perda de memória, muito mesmo, mas confesso que achei o momento um pouco inapropriado. A questão é que enredo de amnésias só vai para dois lugares: drama ou comédia. Do jeito que foi feito e sendo nessa série, só poderia ir para o ramo de comédia, o que torna um episódio leve e divertido. O problema? Estamos quase no final da temporada, esse é o momento para ação e grandes cenas, não é a hora certa para episódios divertidos que não avançam em nada o enredo.

Barry sem memória é engraçado e leve, ele não sabe de nada e é levado de um lugar para outro super confuso, enquanto todos tentam achar um jeito de recuperar suas memórias. Ele ainda calha de ter que depor em um caso importante da polícia, só que ele não lembra de nada, então é impossível. Julian até tenta dar instruções para ele, fazendo aparecer por escrito em um óculos, mas não dá certo. Honestamente, é bem irrealista que um caso dependesse totalmente do testemunho do Barry como CSI, porque para começar ele já teria escrito um relatório sobre isso explicando exatamente essas coisas e que o juiz teria acesso. Mas isso é o de menos.

O grande foco desse enredo é o Barry estar livre de suas amarguras, se divertindo com Iris e fazendo piadas, algo que ele vem fazendo menos e menos, já que está sempre preocupado com mil coisas. Iris até fica um pouco conflitada em devolver as memórias dele, porque acha que ele é mais feliz assim, mas depois de conversar com Joe, ela chega à conclusão que ele é ele por causa das memórias dele. Até aceito, mas achei um pouco aleatório eles dizerem que o Barry “nunca foi assim”, quando honestamente pra mim ele era desse mesmo jeito na primeira temporada. Mas sim, memórias são importantes e não acho que ninguém além dele deva decidir esse tipo de coisa.


Para poder resolver esse problema, Team Flash tem uma ajuda inesperada: Caitlin. Ela ainda está em sua personalidade Killer Frost – aproveitando que andei reclamando de várias coisas nessa review, reitero que achei um desperdício fazerem com que ela tenha dupla personalidade – mas agora precisa ajudá-los, porque quando Barry ficou sem memórias, Savitar também ficou. Eu achava que o Team Flash podia ter usado essa oportunidade para tentar capturá-lo de alguma forma, afinal ele estaria super perdido, sem saber muito o que está acontecendo, igual ao Barry. E se estamos partindo do princípio que foram as memórias dele que o formaram, esse Savitar seria literalmente IGUAL ao Barry sem memória.

Mas eles nem consideram isso, Caitlin vai até eles dizendo que tem interesse em ajudar Barry a recuperar suas memórias, porque só assim também que ela conseguiria o que Savitar a prometeu. Como para Flash as especialidades são as coisas mais vagas possíveis, a Caitlin é responsável por tudo que tem a ver com biologia, incluindo memória, por isso que Cisco e Julian sozinhos não conseguiram fazer funcionar. Ela consegue resolver o problema, e Iris ativa a memória de Barry fazendo-o lembrar de um momento quando eles eram mais novos e se apaixonaram, segundo ela.

O mais legal de ver Killer Frost trabalhando com o resto da equipe, foi Cisco conversar com ela. Ele tenta fazê-la lembrar de momentos positivos, incluindo dizer que todas suas melhores memórias a incluem, o que achei fofíssimo. Ele lembra de uma cena marcante de quando eles estavam trabalhando para construir o acelerador de partículas, e envolvia o Ronnie, o que deve mexer com a Caitlin também. Vemos que ela é um pouco afetada por isso, mas não o suficiente para “voltar” a ser Caitlin.

No fim, ela os ajuda, mas depois vai embora. Todos juntos tentam convencê-la a ficar, dizendo que ela pode continuar no Team Flash mesmo como Killer Frost. Aí o Julian inventou de dizer que iam encontrar uma cura, de que forma ele achou que isso iria convencê-la? Uma dica para vocês, atacar a pessoa e dizer que vai fazer ela virar outra pessoa NÃO vai fazer ela querer se aproximar. Achei que finalmente iam fazer uma integração das partes da Caitlin, dizendo que ela ainda era ela mesmo como Killer Frost, mas nãaao, vamos continuar fingindo que uma não tem nada a ver com a outra.

A pior parte mesmo foi quando Julian disse para Caitlin que a amava. Não tenho nada contra o casal, mas foi bem vergonhoso. Além de ser um momento inapropriado, eles mal se conhecem? Flertaram umas três vezes e se beijaram uma vez e aí agora ele a ama? Quem é você, Julian? Caitlin diz que não o ama e nunca o amou, o que eu nem duvido, e depois diz que não amou nenhum deles, o que aí já é mentira, porque sabemos que ela ama o Cisco e o Barry – mesmo como amigos. Saí desse episódio gostando muito mais da ideia de Killervibe do que Caitlin/Julian.

O Melhor:
+ Barry sem memórias
+ Caitlin trabalhando em equipe
+ Killervibe
+ Pequenos momentos entre Iris e Barry

O Pior:
- Momento ruim para o episódio
- Falta de coerência e consistência na série
- Julian me dá vergonha alheia


Nota: 7,5

Flávia Crossetti - Estudante de psicologia, carioca, feminista, leitora compulsiva, pseudo-escritora e viciada em mais séries do que deveria.


0 comentários:

Postar um comentário

 
UA-48753576-1