Image Slider

terça-feira, 19 de abril de 2016

Review: The Middle 7x20 - "Survey Says..."

Atenção: A resenha abaixo contém spoilers do episódio "Survey Says...", exibido no dia 13/04/2016!

the middle 7x20

Wow!! The Middle nunca foi uma série de comédia muito padrão. A começar por trazer uma família claramente de anti-heróis – os Heck são briguentos, preguiçosos e egoístas -, mas principalmente ela consegue injetar fartas doses depressivas de realismo envolvendo os mais variados ângulos da vida moderna. Há muito seriado ‘dramático’ que adoraria alcançar com tamanha precisão a verdadeira essência da vida real.

“Se aprendi alguma coisa com você, é que a vida não é divertida, e é basicamente uma série ininterrupta de desapontamentos” – diz Axl para Mike, em determinado momento deste episódio. E ver isto saindo da boca do protagonista mais egocêntrico e mimado do seriado não é pouca coisa.

Aqui, temos três subtramas, sendo uma engraçadinha, e duas profundas correlatas, que embora sigam diametralmente opostas, acabam se unindo num fio psicológico intenso. Tudo começa com Sue. A jovem Heck que era um poço de determinação e alegria, e tão logo entrou para a faculdade sofreu uma metamorfose que culminou com uma ‘nova Sue’, composta apenas pelo que supomos ser minúsculos fragmentos do que a personagem fora outrora.

the middle 7x20

A nova Sue, nascida e desenvolvida nesta temporada, já não mais se preocupa em se enturmar em qualquer circunstância, ou a prolongar a sua infância ao optar por cores infantis e imagens sorridentes e positivas. A nova Sue é aquela que persegue um professor por quem é apaixonada, que debate com entusiasmo e que sente vergonha de sua mãe. 

A nova Sue, também, se tornou uma daquelas garotas que tão logo encontram um namorado, tão logo começam a coletar por osmose todos os seus gostos, e passam a defende-los como se seus fossem. Lembram-se do rapaz que ficou por alguns episódios amarrado em uma árvore para protestar? Sim, ele agora é namorado de Sue, e é por influência sua que a garota agora passa a se importar com uma quantidade absurda de causas ambientais e sociais. “Eu quero a minha Sue de volta. A Sue feliz, a Sue gentil” – desabafa Frankie. Todos nós queremos, Frankie. Todos nós.

No outro lado, temos a subtrama de Axl. Por sinal, Axl é aquele que talvez mais esteja surpreendendo a todos com o crescimento de sua personagem. Aquele jovem de perfil atlético que sonhava em ser campeão de futebol americano, e que não podia ver uma mulher para usar de seu charme e popularidade para se dar bem, agora virou um mero frangalho. Axl descobriu, como contou ele próprio há alguns episódios, que sua popularidade no ensino médio era apenas coisa juvenil, e que aquela aura descolada que ele tanto aproveitava não o acompanhou para fora das dependências escolares.

the middle 7x20

E se naquele episódio o jovem chorou ao dizer para o amigo Sean que o futebol americano acabou não indo a lugar algum, é exatamente esse o fio que retorna, já que Axl decide por fim abandonar sua já furada carreira. Furada em termos, como espertamente aponta Mike, já que é justamente o futebol americano, e o time pelo qual o garoto joga, que lhe paga a bolsa universitária.

O time, enfim, confia no potencial do garoto. É ele quem não confia mais em si mesmo. E é justamente por isso que ele começa a sondar a possibilidade de largar de vez o esporte e tentar arranjar outra fonte de financiamento para o restante do seu curso. Ele não encontra, é claro, e terminamos vendo o jovem Heck aceitar continuar no time, ao menos para fins de concluir seus estudos. Se The Middle não fosse tão ‘pé no chão’, eu poderia até desconfiar que é capaz dele reverter essa depressão e acabar em uma carreira promissora no esporte. Mas, como disse Axl, a vida não é divertida. E não é mesmo.

Quem mais sofre e carrega o peso emocional desta mixórdia toda, afinal, não são nem Axl e nem Sue. São Frankie e Mike, que precisam enfrentar o fato – numa cena totalmente emocional e brilhante – de que seus filhos já não são os mesmos, já não pensam como antes, e já não seguem os caminhos que haviam sido pré-determinados pelos pais. “Sabe quando eu fui mais feliz?” – um bêbado Mike confidencia para uma bêbada Frankie – “Quando eu dirigia o carro com todo mundo. Quando eles eram pequenos, e eu dirigia para qualquer lugar. Só eu na direção, você ao meu lado, e os três idiotas no banco de trás. Eu sabia que tudo estava bem. Eu estava dirigindo. E tinha o controle”.

the middle 7x20

Quer coisa mais poética e bela do que isso? Já acredito que seja um dos momentos mais marcantes desta temporada, senão de toda a série.

Como terceira e última subtrama, há uma divertida história de Brick, que após causar o maior tumulto para conseguir um papel para fazer um trabalho de escola, que ele foi avisado há semanas, mas não foi capaz de preparar antes, acaba recebendo a ‘honra’ de ser selecionado para avaliar a qualidade do papel em uma análise on-line. Brick é Brick, e justamente por isso, uma tarefa simples de dar nota para o produto acaba se transformando em uma sequência de testes e análises intensas para pode entregar a mais pura avaliação para quem quer que fosse lê-la.

A história de Brick, como se vê, infelizmente não consegue penetrar no cerne da questão central do episódio de forma alguma, e isto apenas demonstra o quão alheio o jovem se tornou para o arco central do seriado. A impressão é que realmente não sabem muito como fazê-lo evoluir, a não ser focar realmente em sua estranheza, que há tempos deixou de ser um engraçadinho aspecto de criança, para se tornar um problema realmente grave. Quando Mike e Frankie mencionaram no passado que não acreditam que Brick poderá deixar a casa algum dia e viver por conta própria, não era mera ironia e sarcasmo. Uma pena. Seria legal ver o Brick se desprendendo de seus problemas e se tornando uma ‘pessoa normal’ com a evolução de seu personagem.

the middle 7x20


O melhor
Os diálogos desse episódios foram fantásticos, assim como toda a temática.
+ The Middle consegue ser uma comédia que se extrapola para o drama com uma delicadeza e leveza admirável.
+ A analogia do Mike no carro foi genial. Sinto muito se a tradução que fiz para o português tenha tirado um pouco do peso da fala.
+ O arco dramático da personagem Axl esta surpreendendo de uma forma incrível. O Axl de hoje é totalmente diferente daquele das primeiras temporadas, mas ainda mantendo aquela essência de sempre.

O pior
- Brick acabou ficando totalmente alheio do grande foco dramático deste episódio. E ficou meio deslocado.
- Embora sua personagem tenha evoluído, ao contrário do que aconteceu com Axl, não manteve muito de sua essência. Não gosto muito da ‘nova Sue’. Prefiro a divertida, positiva e atrapalhada Sue.

Nota: 10

Cássio Delmanto Advogado, colunista automotivo, beatlemaníaco, fanático por carros, filmes, séries, música, tecnologia e cultura inútil em geral. 

0 comentários:

Postar um comentário

 
UA-48753576-1