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terça-feira, 1 de março de 2016

Review: The Middle 7x16 - “The Man Hunt”

Atenção: A resenha abaixo contém spoilers do episódio "The Man Hunt", exibido no dia 24/02/2016!

the middle 7x16

Finalmente! Finalmente The Middle conseguiu criar uma subtrama para cada personagem que funciona totalmente bem. Se reclamei que, de forma contumaz, a série vinha insistindo em separar os personagens em subtramas próprias, sempre deixando um menosprezado e com uma história menos aproveitada e meio superficial – na maioria dos casos, Brick foi o escolhido – aqui tudo funciona que é uma beleza!

Desde que foram despejados da república em que moravam, alugada irregularmente, Axl e sua gangue de amigos tiveram que se contentar em retornar para a casa de seus pais. Sim, eles já deveriam ter encontrado outro lugar para alugar nesta altura, mas enfim, se o tivessem feito, onde estaria a graça disso?

Aqui, vemos Axl e seu amigo Hutch decidirem comprar um Motor Home num leilão da polícia. Sim, a ideia é tão estúpida quanto os próprios garotos, já que ficaram aumentando o preço do leilão antes de perceber que eram os únicos dois dando lances. E The Middle é tão boa em construir seus personagens, que sabemos o quão fantástico deve soar ao Axl a ideia de possuir uma casa móvel, embora seja evidente que a coisa não vai dar certo.

the middle 7x16 axl

Mas antes de todo o esquema desabar, Axl e Hutch possuem um problema ainda maior: encontrar Kenny. Todo mundo se lembra do obeso colega de quarto de Axl que passava episódios inteiros de costas, jogando num laptop, e cujo rosto demorou vários episódios para ser revelado. Aqui, ele simplesmente aparece no Motor Home, apesar de não ter sido convidado por nenhum dos garotos para morar no local. Durou pouco, entretanto, pois o rapaz tão rápido surgiu, tão rápido desapareceu. Desesperados, os jovens tentam encontra-lo em todos os lugares, até finalmente descobrirem que ele esteve na casa dos Heck o tempo todo, lugar onde aparentemente estava morando, discreto e invisível como de costume.

Num outro espectro, Sue finalmente aceita que Logan se foi, e decide se juntar a sua colega de quarto, Lexie, e frequentar algumas festas da universidade para tentar encontrar um novo romance, ou mesmo uma diversão passageira. Mas Sue, bem, é Sue, e embora seja extremamente adorável e carismático, ser Sue não é a maneira mais simples do mundo para conquistar alguém. Cabe a Frankie dar à filha aulas de flerte, e a cena onde ela imita o andar abobalhado e pulante da filha tem que ser um dos melhores momentos desta temporada.

the middle sue

Ao final, Sue não consegue deixar de ser Sue, e suas tentativas totalmente exageradas de flerte falham miseravelmente, fazendo com que ela resolva desistir e voltar para seu dormitório, não sem antes avisar Lexie, que aparentemente está sendo ‘cortejada’ pelo primo do cantor Justin Timberlake. Não que ela esteja particularmente fascinada com isso, afinal, como ela própria diz, já namorou um cara que tinha sua própria ilha.

O curioso, e a lição de moral aqui, é que ninguém deve tentar mudar sua própria personalidade para tentar encontrar alguém. É justamente quando ela baixa a guarda, e se libera para ser ela mesma, que acaba encontrando um par em tom de igualdade: o singelo motorista do carrinho que leva estudantes bêbados de volta para seus dormitórios. Ele parece alguém com quem Sue poderia namorar. Só esperemos que ele também não resolva dedicar sua vida à religião.

Por fim, temos o jovem Brick, que aqui anseia para se tornar um ‘homem’. Após comparecer ao Bar Mitzvah de um amigo de mesma idade, e descobrir que aquela é a cerimonia dentro do judaísmo que separa os meninos dos homens, Brick questiona o motivo pelo qual seu amigo judeu é agora um ‘homem’, e ele continua um mero garoto. Não há regras para se tornar um ‘homem’, diz Mike, que tenta usar da situação para converter o filho num garoto mais ativo e esperto. Mas ao que parece, Brick sequer consegue tirar o lixo de casa sozinho, e quando acompanha o pai para um dia de trabalho na pedreira, bem, acaba criando a maior confusão por lá também.
the middle brick

Por fim, Mike acaba entregando aquele que é o diálogo mais profundo do episódio, ao concluir que “toda a manhã, você se levanta e encontra milhares de maneiras de fazer a coisa certa e ser um homem bom, e esperançosamente, consegue fazer a maior parte delas certa, já que não vai conseguir acertar tudo”. E ao entregar uma camisa de flanela para o filho, um visual que é bem típico de seu personagem, e ensiná-lo a fazer churrasco – o americano, claro – Mike completa e alegoria de passar a tocha para a próxima geração, e subjetivamente diz ao filho que cabe a ele se ver como um homem.

Pensando bem, Frankie acabou restando como uma mera coadjuvante na história dos outros. Bom, acho que nem tudo é perfeito, afinal de contas. Parece que The Middle ainda tem que aprender a dar histórias de peso igual a todos os seus personagens.

O melhor
+ Frankie imitando a Sue andar foi um dos melhores momentos da temporada.
+ Axl tentando correr para falar com o Kenny e sendo puxado pelo fone de ouvido – mais um sinal da sutileza da atuação do ator Charlie McDermott.
+ Muito simpático e simbólico o Mike dar uma camisa de flanela ao Brick.
+ A Frankie flertando com o Mike, para tentar ensinar a Sue, é muito engraçado.

O pior
- Por mais que tenha sido engraçado, pensar que a Sue, nesta altura da vida, não consegue reproduzir o flerte de Frankie sem fazer de forma exagerada, é um pouco ficcional demais.
- Também ficou um pouco exagerado o Brick não conseguir colocar o lixo para fora, e o Axl e o Hutch não conseguir diferenciar um policial de um entregador de pizza.

Nota: 9,0

Cássio Delmanto Advogado, colunista automotivo, beatlemaníaco, fanático por carros, filmes, séries, música, tecnologia e cultura inútil em geral. 

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