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terça-feira, 1 de março de 2016

Dica da Semana: Trumbo - A lista negra

Trumbo conta a história do roteirista e escritor Dalton Trumbo. Ele e outros nove roteiristas de Hollywood ficaram conhecidos como The Hollywood Ten (Os dez de Hollywood, traduzindo para o bom e velho português). O motivo? Simples! Nas décadas de 40 e 50 nos EUA, o combate à "ameaça vermelha" ganhou novas proporções - em parte, graças ao Senador Joseph McCarthy -, causando a investigação, perseguição e prisão de qualquer indivíduo considerado suspeito. Nem mesmo Hollywood poderia escapar ilesa dessa caça às bruxas; muitos - entre os quais, escritores, atores, cantores, jornalistas e poetas - foram parar na lista negra. O que era... Bem, extremamente ruim (para dizer o mínimo). Dalton Trumbo, como vocês já devem suspeitar, indubitavelmente acabou nessa lista.

Mas isso não significa que ele desistiu! Ah, não... E é aí que a história fica interessante. Porque nada é mais extraordinário que ver um grupo de pessoas passando a perna em uma grande instituição. Mais ainda uma instituição como Hollywood. (E especialmente quando você sabe que aconteceu na vida real!).

trumbo a lista negra


Apesar do elenco digno de aplauso - entre os quais Bryan Cranston, o eterno Walter White de Breaking Bad, Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning, e Helen Mirren, rainha absoluta -, Trumbo não ousa demais. Restringindo-se ao molde cinebiográfico, o longa-metragem nos introduz Dalton Trumbo da melhor forma possível (obviamente). E, estranhamente, o mesmo ocorre com Hollywood.

A crítica à industria cinematográfica e à censura, ainda que presentes, ficaram aquém das minhas espectativas. Levando-se em consideração o fato de que a lista negra afetou milhares de pessoas - destruindo carreiras e vidas -, é meio que um evento marcante e lastimável na história americana e deveria ter sido melhor abordado.

No que diz respeito aos personagens, a única que decepcionou um pouco foi Hedda Hopper (Helen Mirren). Ela me pareceu um pouco caricata. Com isso, quero dizer que faltou-lhe a profundidade de seus pares, como Dalton Trumbo e Edward Robison, por exemplo. Não nego, entretanto, que é uma personagem divertida. Mas talvez a necessidade de ter "vilões e mocinhos" bem delineados tenha sido um problema.

Com uma indicação ao Oscar de melhor ator por seu papel em Trumbo, Bryan Cranston certamente fez por merecer a dita indicação. Dalton Trumbo não é um personagem fácil de ser emulado; os grandes artistas raramente o são. E sendo o receptáculo de dois Oscars, podemos assumir que ele é um grande artista. Multifacetados e complexos, esses homens (e mulheres) eludem às nossas análises e escapam de nossos rótulos simples e bem categorizados. Cranston encarou o desafio e se saiu muito bem. Sua performance dá vida ao protagonista diante dos nossos olhos.

trumbo a lista negra

Frank Kingman (John Goodman) é outro personagem fantástico! Se o filme começa meio devagarinho, Kingman sacode tudo quando aparece e suas cenas são muito engraçadas. Kingerman e um bastão de beisebol = melhor cena. Fato.

Outro aspecto que devo ressaltar (positivamente) em relação ao filme, é a caracterização à época. É imprescindível, especialmente em filmes similares à Trumbo, que as roupas e cenários estejam adequados à época. De outra forma, como poderíamos mergulhar de cabeça na história? Verossimilhança. Essa é a palavra chave. Existe um acordo: o de que o longa será o mais fiel possível à sua história (a suspensão da realidade tem um limite muito claro em filmes de época).

Trumbo cumpre com o prometido. Nem por um momento, duvidamos de onde ou em que época estamos. Perfeito.

Depois de lerem tudo isso, tenho certeza que deixei vocês em dúvida quanto ao filme devido às minhas críticas. Mas não fiquem - é um filme muito bom. Vejam. São poucos os filmes que olham para trás de verdade, embelezando minimamente os fatos. Muitas pessoas na lista negra não mereciam estar lá (muito menos por se afiliarem à um partido político). E alguns deles lutaram contra isso. Dalton Trumbo foi um desses homens - e essa é uma história que vocês deveriam conhecer.

O filme não é perfeito. Grande coisa. Ainda vale cada centavo do ingresso que comprei.

Thaís Cabral - Estudante de Publicidade, pseudo-escritora, leitora compulsiva e chocólatra. Gosto de séries de TV (americanas e/ou britânicas), filmes e anime/mangá.

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