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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Review: The Middle 7x15 - “Hecks at a Movie”

Atenção: A resenha abaixo contém spoilers do episódio "Hecks at a Movie", exibido no dia 17/02/2016!

the middle 7x15

Se há uma coisa que The Middle nunca deixou passar despercebido aos seus expectadores, é que a família Heck, apesar de se amar intensamente, dificilmente funciona como uma típica e amável família de seriados americanos.

Ao contrário, em The Middle há muito egoísmo, pouca empatia, e até mesmo irritação e impaciência com os demais. Quem não se lembra, logo na primeira temporada, do clássico bordão de Frankie ‘família errada’, quando algum filho pedia algo até razoável?

Neste episódio, que se passa quase inteiramente em um cinema, os Heck vão exalar toda a sua essência, potencializada ao máximo. Temos Frankie e Mike brigando, Axl reclamando, Sue se ferrando, e Brick enlouquecendo. Tudo aquilo que aprendemos a amar ao longo dessas 7 temporadas. Mas vamos por partes.

À princípio, é bom explicar que a excitação dos Heck para ir ao cinema não é mero acaso, e por sinal, como fica bem explicado logo no começo deste episódio, Brick, mesmo já adolescente, nunca na vida foi a um cinema. Falha de Frankie e Mike? Dificilmente. Brick só está na família errada.

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O motivo para tamanho interesse é que a cidade de Orson, onde moram, teria servido de locação para um novo filme – o fictício ‘Flatlands’. Locação externa, Mike bem aponta, já que uma equipe de 3ª unidade filmou o exterior de um restaurante para determinada cena, embora seu interior tenha sido recriado em estúdio, há muitos e muitos quilômetros da cidade. Mas ver nas grandes telas um local onde eles passam de carro, é muito animador para desperdiçar. A vizinha Nancy Donahue sequer consegue dormir, de tanta ansiedade.

Enfim, os Heck se arrumam, preparam bolsas e bolsos com pipoca, doces e batatas, e correm ao cinema para se encontrar com seus estimados amigos. E é justamente numa conversa casual, sobre celebridades, que Mike e Frankie encontram uma das subtramas mais divertidamente costuradas dessa temporada: uma briga casual. E é muito engraçado como o seriado vai-e-vem com uma mesma cena, nos mostrando três perspectivas distintas.

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Primeiramente, como ela de fato aconteceu, e como a cena foi vista pelos olhos dos amigos (perceba que não vemos a reação dos amigos aqui); em segundo, a visão que Mike teve da briga, exaltando seu bom senso ao mandar sua mulher se calar, com os amigos visivelmente incomodados com as constantes interrupções de Frankie; e por fim, a visão da própria Frankie, exaltando como Mike foi mal-humorado e grosso, e como os amigos estavam se divertindo com os comentários que ela fazia.

E apesar de todos os Heck estarem num mesmo ambiente - o cinema - cada um deles ganhou uma subtrama própria. Axl tem a menos aproveitada delas, onde ao conversar com seu amigo de infância Sean Donahue, aquele que virou ‘alternativo’ há alguns episódios, se encontra diante de uma revelação embaraçosa: embora ambos achassem que tinham tido o primeiro beijo com uma mesma menina, num armário escuro, ao confrontarem os detalhes, acabam concluindo que na verdade um beijou o outro por engano. Sim, o primeiro beijo do poderoso Axl foi com outro garoto. Lide com isso, Axl.

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Brick, por sua vez, em sua estreia em um cinema, acaba se deparando com o trailer de um filme baseado em sua série favorita ‘Planet Nowhere’. Entretanto, ao ver que os atores escalados não estavam em nível de veracidade com a versão televisiva, o jovem Heck surta, e sai em uma cruzada para tentar impedir que o filme fosse exibido. Lógico que não funciona, já que ninguém dentro daquele cinema tem poder – ou a menor vontade – de impedir uma grande produção de ser exibida. Enfim, Brick resolve se manifestar ao roubar o display promocional de papelão do filme, já que ele percebe que aquilo vem chamando atenção dos transeuntes. Na realidade, é apenas um trocadilho em inglês com a expressão ‘take a stand’ (ou ‘tomar partido’, ‘fazer alguma coisa’), com o literal ‘take a stand’ (‘pegar o display’), já que este display de papelão se chama ‘stand’ nos EUA.

E por fim, temos a azarada Sue. Aqui, a garota finalmente se reencontra com Logan, o modelo da Abercrombie & Fitch com quem ela vem tentando se relacionar há vários episódios, mas nunca consegue, pois ambos sempre se desencontram. Ao que tudo indicava, a série talvez estivesse tentando criar uma história para Logan, e fazer o romance superar barreiras. Mas talvez fosse apenas um jeito da série dizer que ‘não era para ser’. Após finalmente estarem próximos, conversando, com os telefones certos um do outro, e um apaixonado beijo, Logan confidencia para Sue que o romance não dará certo, pois ele quer virar um padre. Sim, um padre. Parece até piada. E a ironia da cena mágica em que Sue e Logan estão no banco, parecendo apaixonados, com luzes brilhantes atrás e neve, apenas torna tudo ainda mais trágico. The Middle realmente não funciona como um seriado qualquer.

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O melhor
+ O conselho de Bill para Mike ‘pedir desculpas logo e resolver a coisa ali mesmo, e nunca levar uma briga para um segundo lugar’.
+ A Sue mentindo para o atendente e tentando disfarçar que estava pegando manteiga de graça sem ter comprado nada.
+ As três versões para a cena que levou Mike e Frankie a brigaram foi genial.
+ Brick gritando para o telão.
+ Sue discutindo com Deus sobre o porquê dele ter lhe dado um romance com um modelo, para depois tirar ele dela.

O pior
- Poderiam ter colocado um pouco mais da subtrama do Axl com o Sean, ao invés de ter mostrado o Brick conversando com o cara que exibe os filmes.
- Sue é muito azarada. Podiam ter dado ao menos mais um tempo dela com o Logan antes de revelar que o personagem quer ser um padre.

Nota: 10

Cássio Delmanto Advogado, colunista automotivo, beatlemaníaco, fanático por carros, filmes, séries, música, tecnologia e cultura inútil em geral. 

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