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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Dica da Semana: A Grande Aposta

a grande aposta

Com Steve Carell, Brad Pitt, Ryan Gosling e Christian Bale, o elenco de A Grande Aposta é de tirar o fôlego de qualquer um. Não à toa o longa-metragem foi indicado à cinco Oscars, somando um total de setenta e uma nomeações (e vinte e uma vitórias).

Abordando um tema que muitos poderiam considerar absolutamente intragável (leia-se, o mercado imobiliário norte-americano), A Grande Aposta surpreende com uma abordagem simples, satírica e auto-explicativa (cortesia do personagem de Gosling, Jared Vennett). O diretor Adam McKay - veterano no que diz respeito à comédias - faz questão de que o espectador entenda o desenrolar da trama, incluindo todos os 'porquês' e 'comos'.

Em sua essência, o filme é uma crítica (nem tão sutil) ao american way of life e à cultura pop. Por exemplo, se o Lobo de Wall Street está mais para um soco na boca do estômago, A Grande Aposta é um tapa com luva de pelica. Você sente os dois, mas um deles não te deixa inconsciente no chão.

Baseado no livro homônimo de Michael Lewis - autor do aclamado livro Moneyball, que também se tornou um longa estrelado por Brad Pitt -, A Grande Aposta narra a história verídica de alguns poucos investidores que anteviram a crise econômica de 2007-2008 e resolveram capitalizar em cima disso. 

Agora, isso não quer dizer que eles sejam malvados; eles simplesmente viram uma oportunidade e resolveram lucrar com a destruição do sistema, provavelmente a máxima de ganhar dinheiro a qualquer custo. Convenhamos, o problema já estava lá muito antes deles chegarem (e isso é algo que o filme deixa bem claro).

a grande aposta

Bem, tudo começa quando o Dr. Michael Burry (Christian Bale), dono de uma empresa de médio porte, percebe uma mudança bem pequenina nos dados referentes às hipotecas norte-americanas dos últimos anos. Ele resolve, então, apostar contra o mercado. Tido como louco por jogar contra uma das instituições mais seguras dos Estados Unidos da América, os bancos americanos (responsáveis pelas dívidas hipotecárias) ficam mais do que contentes em negociar com ele.

Jared Vennett (Ryan Gosling), um corretor, descobre sobre o que Burry está fazendo através de um conhecido. E não só acha o esquema dele absurdamente brilhante e certeiro, como entra de cabeça, tentando convencer mais investidores a fazerem o mesmo (ganhando uma percentagem em cima do que cada negócio que o investidor fizer através dele). E é aí que entra Mark Baum (Steve Carell), que acidentalmente recebe uma ligação do assistente de Vennett e se interessa no assunto. Por fim,  temos o último núcleo do grupo com Charlie Geller (John Magaro), Jamie Shipley (Finn Wittrock) e Ben Rickert (Brad Pitt), que descobrem a coisa toda através de contatos. 

Ou seja, fora o Dr Michael Burry (Bale), todo o resto entrou no trenzinho meio que na sorte. Não que eles não tenham pesquisado e se aprofundado no tema para entender mais aonde estavam pisando, mas - é - sorte (no comecinho). Além disso, todos tiveram que aturar meses de escárnio pela sua aparente estupidez. 

Agora, quanto aos personagens, são todos muito bons. 

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Baum (Carell) e Rickert (Pitt) servem de compasso moral no filme, lembrando - vez ou outra - as consequências de estarem corretos. Ou seja, que eles vão lucrar em cima da desgraça e miséria alheia. Baum (Carell), em particular, é bastante vocal em relação ao nojo que sente das pessoas com as quais convive e com seu trabalho. O que não o impede de lucrar 200 milhões de dólares no final do dia. 

Vennett (Gosling) não esconde de ninguém que só está ali pelo dinheiro - e num meio onde todos querem se fazer de santos, a honestidade brutal do personagem é refrescante. Além disso, Vennett - junto com Baum - é um dos personagens mais dinâmicos (e engraçado) do filme. Burry (Bale), ainda que tremendamente interessante e com uma atuação espetacular por parte do ator galês, tem uma performance mais devagar - e por vezes eu ficava um pouco confusa nas partes dele. Rickert (Pitt), por outro lado, aparece bem pouco - mas nem por isso é menos marcante. Na realidade, talvez pela sua experiência, Pitt literalmente rouba a cena de Magaro e Wittrock sempre que aparece. E Rickert talvez seja o mais pé no chão de todos eles. Afinal, ele se desiludiu com esse mundo financeiro.

Observação importante: a equipe de Baum no filme é absolutamente brilhante. Em especial, o Vinny Daniel (Jeremy Strong).

Fora as atuações sensacionais, outro ponto forte do filme são os cortes explicativos - sim! -, em que aparecem Margot Robbie, Selena Gomez, Richard Thaler e Anthony Bourdain para explicar de forma simplificada e com exemplos bem básicos o que significam os termos complicados usados no meio financeiro. (Usados, diga-se de passagem, só para nos confundir).

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Detalhes da mise-en-scène também complementam bem o filme, adicionando um detalhe aqui e acolá para completar melhor a trama ou nos dar um insight mais profundo dos personagens. Sobre a trilha sonora, não tenho muito a dizer, só isso: por vezes era hilária - em especial quando aliada ao contexto e à imagem.

Única reclamação? O Brad Pitt deveria ter aparecido um pouco mais... O personagem era muito bom, mais cinco minutinhos de Rickert na tela teriam sido apreciados.

Minha dica? Vejam o filme, vale muito à pena. No mínimo, saímos entendendo um pouco mais de como se deu a crise econômica de 2007-2008. 

Trailer:




Thaís Cabral - Estudante de Publicidade, pseudo-escritora, leitora compulsiva e chocólatra. Gosto de séries de TV (americanas e/ou britânicas), filmes e anime/mangá.

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