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sábado, 17 de maio de 2014

Dica da semana: Humans of New York

HONY

“Humans of New York”, também conhecido como HONY, é uma página de fotografias no facebook. Você pode encontrá-la aqui.
A premissa da página é bem simples: Brandon, o fotógrafo e dono do site, percorre vários bairros de Nova York, tirando fotos de pessoas comuns que ele encontra na rua. Ele aproveita e faz uma entrevista com essas pessoas, frequentemente colocando alguma citação do que a pessoa disse.
Tá, ok, e o que tem demais nisso?
Apesar de não parecer grande coisa de início, basta ver algumas fotos para mudar de ideia. As fotografias são ótimas por si só, espelhando a diversidade que existe em uma cidade como NY, mas o que realmente faz o diferencial são as histórias que cada pessoa tem a contar. De tiradas engraçadas a relatos emocionais, HONY nos faz pensar em como cada pessoa que nós passamos tem uma história complexa, e nós não fazemos a mínima ideia.
Pelo facebook, ainda podemos acompanhar as respostas às fotos, muitas pessoas comentam contando histórias similares, ou as vezes o próprio fotografado ou conhecidos aparecem, revelando mais informações acerca
Recentemente, Brandon lançou um livro com o mesmo título. “Human Of New York” foi inicialmente rejeitado por várias editoras, que acreditaram que um livro de fotografia local não venderia muito. Eles não poderiam estar mais enganadas! HONY foi um sucesso total.
O livro conta com várias das fotos postadas no facebook, mas também tem algumas inéditas. Ele é do mesmo formato que a página: fotos + citações, só que dessa vez impresso.
 
humans of new york
"Isso tem tipo mil páginas!" - Pessoas aleatórias opinando sobre o livro.

Mais de cinco milhões de pessoas curtem a página do Facebook e a fama não para por aí. Brandon já fez um trabalho para a Vogue e, há pouquíssimo tempo, tirou algumas fotos do baile do MET para a revista. Entrevistando pessoas famosas do mesmo jeito que entrevista todas as outras.
Gostaria de deixar aqui alguns dos meus favoritos, mas infelizmente eu não salvo nem marco nada. Vou então pegar algumas das últimas e mostrar aqui, mas vale a pena conferir o site por si mesmo. E, caso gostem, comprem o livro. Ele é lindo!

"O que você quer ser quando crescer?"
"Uma mãe."
"E qual é a parte mais difícil em ser mãe?"
"A hora do banho."

"Meu marido tem um tumor cerebral raro chamado Neuroma Acústico, que precisou de cirurgia. Nós começamos pensando em recuperação. Nós colocamos toda nossa energia em curar  e confiar na medicina ocidental, acreditando que tudo ia ficar bem. Então chegou um ponto que tivemos que aceitar que não ia voltar ao normal. E isso não vai embora. E não é que não estejamos tentando o suficiente. Só é assim."


"Você se lembra do momento mais triste da sua vida?"
"Há alguns anos, meu pai teve que fazer um teste de paternidade para os papéis de cidadania, e nós descobrimos que ele não era meu pai biológico."
"Como isso mudou o relacionamento de vocês?"
"Não mudou."


"Você se lembra do momento mais feliz da sua vida?"
"Quando eu recebi meu diploma da universidade."
"Você se lembra do momento mais triste da sua vida?"
"Quando eu descobri que eu não conseguiria usá-lo."



"Eu tenho muitos defeitos. Eu tenho certeza que não é fácil conviver comigo. Eu não me comunico bem. E tenho certeza que não é legal ver seu homem engatinhando no chão do quarto de hotel. Mas ela me ama."

"Qual é sua coisa preferida sobre seu irmão?"
"Ele é fofo."

"Meus pais eram imigrantes do Vietnã. Eles tinham passado por uma guerra, e não queriam que a filha passasse pelas mesmas dificuldades que eles, então controlaram minha vida tanto quanto possível. Para eles, controle era amor. Mas eu tive que me distanciar disso."

"O que mais te surpreendeu sobre ser pai?"
"O amor."

"Quando minha filha nasceu, meu avô estava morrendo no mesmo hospital. Me disseram que mostraram uma foto dela pelo celular e ele começou a chorar. Eles iam embrulhá-la e levá-la para ele na manhã seguinte, mas ele morreu naquela tarde."

"Meu pai morava em Newark, então ele me pegava aos fins de semana e eu ia ficar com ele. Mas já que ele e minha mãe não se davam muito bem, ele nunca ia até em casa.  Quando o trem dele chegava, ele me ligava e eu ia até a estação encontrá-lo. Mas em um final de semana ele estava três horas atrasado. Eu tentei ligar para seu celular, mas ele não atendeu, então eu presumi que ele não vinha e saí para ver um filme com meus amigos. Eu acho que o trem dele chegou alguns minutos depois, porque minha mãe disse que ele ligou assim que eu saí. Quando eu finalmente entrei em contato com ele, nós tivemos uma grande briga. Ele ficou irritado porque eu tinha ido ver o filme. Ele disse que eu não ligava para ele ou o amava. Isso foi no sábado. Tarde da noite de domingo, eu levantei para ir no banheiro e encontrei meu padrasto e minha mãe chorando na cozinha. Eles nem conseguiram me dizer que ele foi assassinado. Eles só me disseram que 'uma coisa aconteceu com alguém em Jersey'. Eu perguntei se tinha sido minha tia. E então minha avó. E minha mãe só ficou negando com a cabeça. Eu passei por uma lista de pessoas antes de chegar ao meu pai. E a cada nome que eu dizia, com mais e mais medo eu ficava, porque eu sabia o que tinha acontecido."

Ok, me empolguei bastante e poderia passar o dia inteiro colocando as fotos e traduzindo as entrevistas, mas me controlarei. 
Já tem algum tempo que "descobri" o HONY e, desde então, todo dia vejo as fotos novas que são adicionadas e não deixo de me surpreender e me emocionar com o que encontro.

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