Image Slider

terça-feira, 22 de abril de 2014

Review: Mad Men 7x02 - "A Day's Work"

Na Nova York de 1969, domingo foi o Dia dos Namorados. Já era de se esperar que essa seria a premissa perfeita para que os personagens desajustados de Mad Men enfrentem suas vidas solitárias em alguns resultados embaraçosos e frustrantes. Também é dia de mudança de cargos na Sterling Cooper & Pryce. Nesse episódio ótimo, lindamente manufaturado, Matthew Weiner, o criador da série, nos lembra porque Mad Men fará tanta falta na tevê.



Em "A Day's Work" encontramos uma Sally Draper toda crescida, naquela fase da adolescência em que começamos a nos preocupar mais com as nossas roupas e menos em contar algumas mentirinhas. Ela vai a Nova York para o funeral da mãe de sua colega de quarto no internato, mas aproveita para escapulir com as amigas para fazer compras no Village. Só que ela acaba perdendo sua bolsa e deixa as colegas para procurá-la, de onde de alguma forma ela acaba na SC&P. Lá, ela pega mais uma das mentiras do pai: quem está na sala de Don é Lou Avery.

Sally, no entanto, parece estar mais anestesiada para enfrentar situações como essa. Quando ela encontra o pai no apartamento dele, o tratamento dirigido a Don é o que poderia se esperar da arrogância de qualquer adolescente comum. A obediência e o medo da figura paterna desapareceram para dar lugar a uma desprezo calculado. Talvez seja exatamente isso que permita que os dois acabem se aproximando e se reconhecendo como iguais. É só à filha que Don se mostra mais humano e fraco, e acho que daí que pode surgir uma reconciliação.

Quando no final do episódio ela solta um "I love you" rápido para o pai, é um momento doce e inesperado. Mas quando ela não o dá uma chance de responder nem olha pra trás, Sally nos deixa com uma amarga ambiguidade.



E esse voltou a ser um episódio triste para Peggy. No calendário da moça, 14 de fevereiro está marcado com "gloomy masturbation", como brinca Michael. Ela tem que enfrentar não apenas a solidão de ter sido deixada por Ted, como também o julgamento social que essa solidão traz nessa data. Resultado disso é que Peggy fica neurótica, confundindo as flores que sua secretária Shirley recebe por suas. Embora descontente quem torce por ela (como eu), essa trama patética e um tristemente cômica serviu para lembrar que a personagem não é um símbolo de ascensão profissional e liberação feminina, mas que é mais que tudo muito humana.

Toda essa confusão das flores também acabou entrando na dança das cadeiras que as secretárias da SC&P tiveram que passar nesse episódio. Peggy não quer mais trabalhar com Shirley, Lou quer dispensar Dawn porque ela não estava lá quando Sally apareceu na agência, Bertram não quer uma "pessoa de cor" na recepção. E quem tem que manejar tudo isso é Joan, que acumula duas funções.

Essa trama foi interessante porque pudemos ver mais de perto as secretárias, sempre tão coadjuvantes, e sentir junto com elas raiva por chefes injustos. A cena entre Dawn e Shirley - duas afro-americanas - na copa foi brilhante, um comentário irônico do mundo sexista e racista no qual elas estão inseridas. A storyline também trouxe bons resultados porque "promoveu" Joan a uma sala no segundo andar (embora sócia, ela ainda era gerente de pessoal), o que permitiu a Dawn ocupar, muito merecidamente, sua posição.



No andar de cima, o clima estava tenso. Roger Sterling está começando a perceber que seu estilo de negócios - veterano de guerra desbocado e impulsivo - pode estar caindo em desuso, à medida em que encontra resistência em Jim e em Lou. O primeiro é o grande antagonista de Roger, e deixa isso claro em uma cena passivo-agressiva no elevador.

Pete também não está contente com sua posição na agência. Ele foi um dos personagens que mais mudou durante a série - só na última temporada, ele deu uma volta de 180º, de uma das mais importantes figuras da SC&P para um desbravador na filial de Los Angeles. O ar de contentamento do episódio anterior desaparece aqui. Pete, afinal, nunca foi uma pessoa contente. Ele quer crescer, quer atenção, quer ser amado. Quando ele procura Bonnie para sexo de reconforto, ela lembra que também tem que trabalhar, e não pode ficar apenas satisfazendo suas vontades. Ele acaba se lembrando também de que está sozinho.

E afinal, todos os personagens principais de Mad Men estão. Deslocados e indecisos, eles são, como diz a grande Sally Draper, muitas pessoas em uma só.

O melhor do episódio:


+ Sally Draper. Kiernan Shipka está fazendo um trabalho maravilhoso. A relação dela com Don Draper é a melhor coisa do episódio.
+ A promoção de Joan e de Dawn, duas personagens muito queridas.

O pior do episódio:


- A trama tristemente patética de Peggy. Não façam piada dela :(
- Lou Avery, que está trabalhando fortemente para ser um dos personagens mais odiáveis da série.

Nota: 9,5

0 comentários:

Postar um comentário

 
UA-48753576-1