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domingo, 13 de abril de 2014

Dica da semana: o livro "Todo Dia"

Depois de um breve relapso, estamos de volta com as dicas da semana! Dessa vez, trazendo mais uma dica literária para você se entreter durante o hiatus da sua série preferida. 


  • Todo Dia
 Autor: David Levithan

 Título Original: Every day

 Editora: Galera

Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.




Desde o dia que nasceu, A passa cada dia em um corpo diferente. Acorda na vida de outra pessoa e, ao dar meia-noite, passa para o de outra, em geral a poucos quilômetros de distância. Para se adaptar a essa vida elx segue algumas regras básicas, como não interferir demais na vida do dono do corpo e tentar passar despercebidx por aí. Até que um dia acorda no corpo de Justin e se apaixona pela namorada dele, Rhiannon, uma linda menina, que, na opinião de A, não é valorizada o suficiente pelo namorado. Eles passam um dia maravilhoso juntos, mas como já sabia que ia acontecer, no dia seguinte A acorda em outro corpo. Elx tenta deixá-la de lado e voltar a sua vida nem tão normal, mas simplesmente não consegue tirar Rhiannon da cabeça e acaba tentando fazer de tudo para reencontrá-la.
Primeiramente, queria deixar claro porque estou usando "elx" na resenha. Pelo o que entendi do livro, A é um personagem genderqueer (ou talvez agênero, não fica muito claro. Mas sou cis, então posso estar falando besteira aqui, me corrijam se eu estiver errada), elx não fala diretamente com que gênero se identifica em nenhum momento, fala que quando era criança tinha dias que se identificava como menina outro como meninos (= genderqueer), mas não chega a dizer sobre atualidade. Na tradução brasileira, é frequentemente usado pronomes e adjetivos no masculino para se referir a elx, mas tenho quase certeza que no original, em inglês, são usados apenas palavras neutras (o que, infelizmente, não temos em português). Não acho certo identificarmos-x como do gênero masculino, principalmente considerando que A demonstrou desconforto quando Rhiannon estranhava-x quando estava em um corpo de menina. 
Eu amei o livro e não tenho certeza dos motivos. Talvez seja simplesmente porque estava em uma maré ruim de livros, mas acho que foi uma combinação de coisas. Para começar, um livro ter um personagem principal que é queer já é suficiente para me fazer amá-lo para sempre, mas além disso "Todo Dia" tem uma história incrível. Eu adorei sua premissa, de acordar todo dia em um corpo diferente e acredito que David tenha lidado muito bem com o assunto. Confesso que algumas coisas deixaram a desejar, especialmente no final, queria que sua "condição" tivesse sido mais explorada e soou, para mim, como um final de livro que vai ter continuação, onde tudo seria ainda mais explicado. Entretanto tenho a ligeira impressão que esse será o único livro.*
Minha parte preferida do livro foi ver a vida das pessoas cujo corpo A habitava. Com um capítulo por pessoa, temos uma rápida visão de pessoas com vidas totalmente diferentes: populares, estudiosos, imigrantes, viciados, deprimidos, homossexuais, transgêneros, filhos únicos, irmãos. Tiveram algumas cenas que achei absolutamente lindas e foi o que realmente me conquistou. É claro que só sabemos sobre um dia da vida dessa pessoa e não é o suficiente para conhecê-la, mas vemos tantas situações diferentes, algumas desagradáveis de se ler, mas outras que me deram vontade de abraçar o livro, que é impossível deixar de nos colocar no lugar das pessoas e, pelo menos foi assim para mim, lembrar como cada pessoa tem uma vida completamente complexa, diferente e independente da nossa. Além disso, ao acompanharmos a situação de A, começamos a valorizar as pequenas coisas que temos, que elx não tem. As vezes que A falou de quando era pequeno e chorava de noite, não querendo dormir, porque não queria ir embora ou sobre os "pais" que ele teve, me deixaram com lágrimas nos olhos.
Honestamente, eu poderia ter lido o livro inteiramente assim, sem o enredo principal. Por falar nele, tenho sentimentos conflituosos sobre Rhiannon. Em geral, sou a primeira pessoa a me apegar às personagens femininas e defendê-las até a morte, mas eu não consegui realmente gostar dela. Não que eu tenha desgostado, e até mesmo consigo entender tudo o que ela fez durante o livro, realmente achei que em alguns momentos A estava a pressionando demais, supondo que a conhecia melhor do que ninguém, quando não era necessariamente verdade. Mas, mesmo assim, algumas coisas sobre Rhiannon me irritaram. Talvez isso tenha sido principalmente pelo fato de ela ter dito algumas coisas que me incomodaram, como quando A estava no corpo de Vic, um garoto trans, e quando A vai explicar o que isso significa, ela simplesmente o corta e diz "nem sei o que isso quer dizer" ou quando ela fica desconfortável quando A diz que uma vez, enquanto estava no corpo de um garoto, elx se apaixonou por outro garoto. Eu sei que são só detalhes, mas são o tipo de coisa que, na vida real, me alertariam para o tipo de pessoa que ela é, e eu preferiria manter distância. Tirando essas coisas, Rhiannon é uma personagem interessante, mas algumas personagens que apareceram por apenas poucas páginas (Zara e Amelia, por exemplo)  conseguiram me conquistar mais do que ela. 
A sub-história com Nathan foi interessante e me pegou de surpresa. Eu gostei bastante, mas como disse no início da resenha, esperava que as descobertas de A no final fossem um pouco mais exploradas ao final do livro. Entendo que o objetivo tenha sido ficar meio em aberto mesmo, mas eu queria saber mais.
Concluindo, analisando racionalmente eu não acho que o livro mereça cinco estrelas. Provavelmente merecia umas quatro. Mas vou dar cinco mesmo assim, porque ele despertou emoções bastante fortes em mim, e é isso que espero que um livro faça.  Li tudo em dois dias, o que não é super rápido, já que é um livro curto, mas foi menos tempo do que ando levando esse ano. Ele é escrito de forma maravilhosa, simples, mas mesmo assim envolvente, de forma que não dá para parar de ler até acabar.

* Segundo o Goodreads, vai ter um segundo livro, chamado "Rhiannon", mas não tem data de publicação nem sinopse, então não sei se trata-se de uma continuação mesmo, o livro na visão dela, ou se seria apenas uma continuação da vida dela sem se interceptar com a de A. 

5 estrelas!

OBS: Essa resenha foi originalmente escrita para um blog de resenhas literárias do qual eu faço parte, então se vocês a virem por lá, é por isso. 

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